terça-feira, junho 26, 2012

UM IDIOTA NA ESPANHA. PARTE 1.

Titio ia ficar uma semana sem postar enquanto estava na Espanha. Acabei largando o blog por quase um mês. Da próxima vez podem reclamar e pedir intervenção da ONU, ok? Aqui vai a primeira matéria sobre o país do Almodóvar.

Sobrinhos, a Espanha é um país bonito. De doer. Tem prédio histórico a dar com o pau, igrejas, museus enormes, ruas floridas, um bar em cada esquina... Ficou interessado? Então corra, porque isso pode acabar rapidinho.

Sim, o bicho está pegando por lá. Cheguei em Madrid no dia em que milhares de pessoas se manifestavam contra cortes no sistema educacional. Lá é assim: eles se mobilizam em torno de assuntos importantes, como “ensino” e “economia” em vez de fazer “marcha da tapioca”, ou coisas do tipo.

A gente aqui está acostumado com crise. Lá é diferente. Os caras chiam. Vale lembrar: eles atravessaram o Atlântico em barcos de madeira para conquistar a América. E tiveram a manha de mandar um “passa moleque” em astecas, maias, etc.  Ou seja, eles são craques em “ir pro pau”, são valentões. Se eles não aguentarem a bronca é porque ninguém mais aguenta.
E se a Espanha falir, estamos lascados. Temos que defender esses países boêmios, como Grécia, Portugal e Espanha. Essa é a Europa divertida, que faz americanos, ingleses e noruegueses ficarem doidinhos quando tiram férias por lá.

Entendam: não tem nada a ver com o mito de que espanhol é boa vida. Nessa pesquisa (dica do André Forastieri) você vai ver que eles trabalham mais do que os alemães. Mas eles parecem curtir mais a vida, não ficam nessa paranóia de "produtividade" como americanos e japoneses. O ritmo do mundo de vida deveria ser ditado por espanhóis. Continuaríamos trabalhando muito, mas pelo menos teríamos mais pausa para beber sangria.

Na verdade, acho que a Espanha é um Brasil que deu (mais) certo: tem mar, malemolência, música, calor e comida picante. Mas tem alguns séculos de desenvolvimento na frente. Logo, se ela se der mal é sinal de que a gente também vai dar com a cara no muro, mesmo que comece a fazer tudo certinho por aqui (duvido, mas enfim...).

A Espanha é um Brasil organizado e menos jeca: cidade bonita lá NÃO é cheia de prédio envidraçado. Você não consegue andar 100 metros sem trombar com uma catedral medieval ou um casarão da era de Napoleão. É diferente do que a gente vê no Brasil, onde qualquer coisa com mais de 50 anos está caindo aos pedaços ou já foi demolida para virar shopping.

Lá as pessoas não vão para o shopping Se encontrar. Vão para as ruas, para as praças (tem muitas) e bares. É a vantagem de um país em que para morrer 10 pessoas de uma vez é necessário um ataque terrorista ou um terremoto, e não um chilique de um traficante que acordou de mal humor.
A nossa sorte é que o espanhol é orgulhoso. Ele vai dar um jeito de sair dessa. Se fosse com a gente já estaríamos vendendo castelos e os quadros do Picaso para pagar a dívida.

Cruze os dedos para a crise passar. A Espanha tem que dar certo. Senão vamos ter que obedecer os suecos e ingleses. E eles são péssimos em fazer vinho.

Aguardem a segunda parte. Deixei para o final a parte que mais interessa: comida, arte e mendigos na rua. Não percam!

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8 Comments:

Blogger Luciana said...

Tio,

Na boa, parece que você não passou o perrengue que a maioria dos brasileiros passam com a puliça espanhola, que se comporta como se estivesse na Idade Média invadindo a América Central.

Admiro, não só os espanhóis, como o povo europeu como um todo, pela capacidade de manter suas tradições, seu orgulho nacional (apesar de alguns ataques xenofóbicos), da preservação da sua história - e olha que já passaram por 2 grandes guerras mundiais. Nesse quesito, temos muito a aprender com eles.

A gente tem sempre o costume de sentar a pua no "povo brasileiro", como se não fizéssemos parte dele, mas uma de suas qualidades - que o excesso acaba transformando em defeito - é a receptividade, coisa que os espanhóis arrogantes não têm. Estão lá, com uma mão na frente e outra atrás, mas o nariz... continua em pé!

Além disso, assim como os portugueses, se hoje eles têm castelos e museus e lugares históricos, não devemos nos esquecer que muito disso foi construído às custas do ouro roubado das Américas, e com muito sangue indígena.

Vou continuar acompanhando sua saga nas terras de Dalí, para ver o que você aprontou por lá!

terça-feira, junho 26, 2012  
Blogger Walter Carrilho said...

Sobrinha: não passei perrengue, não. Na verdade, achei o povo bem caloroso e amistoso. O nariz em pé todo europeu tem, não tem jeito - é nostalgia da era em que eles mandavam no mundo.

E, sim, a riqueza vem em grande parte do que eles roubaram da América. Mas nisso pelo menos eles foram competentes, construíram uma civilização com a grana. Se fosse conosco a gente gastava tudo em transamazônica, etc.

Mas fique tranquila. Eu nunca esqueço que sou brasileiro. Só que, como jornalista boçal, meu papel é falar mal e espicaçar o orgulho nacional, que eu acho desmedido. Sei lá, para mim não existe humor " a favor, saca?".

Bjs!

terça-feira, junho 26, 2012  
Anonymous Marcia Z. said...

Eu me divirto com essas suas viagens, pq vc sempre dá um jeito de falar mal de alguém, kkkk. Quero ver o que vc tem para falar de comida! Me gusta la paella.

terça-feira, junho 26, 2012  
Anonymous Anônimo said...

"Lá as pessoas não vão para o shopping Se encontrar. Vão para as ruas, para as praças (tem muitas) e bares. É a vantagem de um país em que para morrer 10 pessoas de uma vez é necessário um ataque terrorista ou um terremoto, e não um chilique de um traficante que acordou de mal humor".

terça-feira, junho 26, 2012  
Anonymous Anônimo said...

Existe até o risco de a ONU intervir a nosso pedido. A dificuldade maior é a seguinte: como a laboriosa, humanista e utilíssima organização vai achar tempo entre um panfleto e outro para analisar um pedido tão importante em favor de seus leitores, já que não existe proselitismo barato em suas reivindicações.

terça-feira, junho 26, 2012  
Blogger kelli said...

Tio, vc visitou só Madri? Eu fui pra Barcelona (achei overrated, mas o Parque Guel e a Casa Batló fazem valer a pena) e pra Sevilha, que pra mim mostra bem o que vc falou sobre eles manterem os prédios históricos e não destruírem tudo pra fazer shopping. Umas das coisas de que gostava quando morava na Europa era justamente visitar cidades com arquitetura antiga, e não ver esses prédios espelhados que temos aqui (que são cópias americanas absolutamente sem razão de ser aqui, já que são feitos para reter calor).
Mas concordo com a primeira comentarista: os espanhois são bem arrogantes (não todos, claro). Fui mal tratada na imigração em Sevilha, um horror, mas todos os não-europeus sofreram aquele dia, não foi algo direcionado por ser brasileira.
Se tiver a chance de voltar um dia visite uma praia chamada Chiclana, fica a umas 2 horas de Sevilha. Um dos lugares mais lindos e fofos que já visitei.

quarta-feira, junho 27, 2012  
Blogger Walter Carrilho said...

Kelli: fui para Sevilla (que é uma coisa de louco) e Málaga. Aguarde a segunda parte para falar dessas cidades. E de comida,bêbados, mendigos, etc.

quinta-feira, junho 28, 2012  
Blogger Camembert said...

Olá Aceita Parceria? www.baixedemais.org

sábado, agosto 04, 2012  

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