UM IDIOTA NA ESPANHA PARTE 2

Você não consegue entender um país se não come o que os nativos comem. Por isso eu jamais iria para a Etiópia, onde não se come porcaria nenhuma. Viajar é se arriscar a ter indigestão. E se você vai para a Espanha, já te aviso: prepare seu estômago.
É porque comer na Espanha significa perder as frescuras. Eles comem de tudo. Tive a impressão de que toda a fauna e flora do planeta estavam disponíveis nos cardápios. Acho que se você esquecer sua avó em uma mesa eles são capazes de colocar na panela.
Eu comi uma coisa que aqui no Brasil seria crime: “Manitas de Cochinillo”. São as patinhas de porquinhos desmamados com poucos dias de vida. Na cozinha você pode ver os corpos de dezenas de porquinhos esperando a hora de ir pro fogão. Dane-se o PETA: eu comi e curti.
Comida na Espanha é assim mesmo: violenta. Segundo Edson Capoano, colega de viagem, a Espanha foi um país de muitas invasões e brigas. O cara que topava ficar por ali tinha que ser “muy macho” e comer o que pintasse.
Até a forma de comer é “violenta”. Boa parte das iguarias foi feita pra se atacar com as mãos, se lambuzando. Camarão? Corte a cabeça fora e chupe os miolos: shhluuuupp! Nada daquela frescuragem de restaurante francês. Se você pegar a taça e levantar o dedinho mínimo é capaz de vir um espanhol barbudo e cortar tua mão fora.
O problema é pedir as tais iguarias. É muito estranho para um brasileiro pedir um “pincho” (lê-se “pintcho”) e uns “tapas” sem achar que entrou em um bordel sadomasoquista por engano. E que tal pedir uma “porra antequarana”? É apenas uma espécie de gaspacho.
Depois de comer é bom dar um passeio para fazer digestão. Visitar um museu, por exemplo. A vantagem é que museu por lá tem Velásquez, Picasso, Miró, Dalí, etc., e não aquelas merdas de Catunda e afins que a gente vê por aqui. Em Málaga, cidade onde Picasso nasceu, o careca está em todos os lugares. Tem placa indicando onde ele foi batizado, onde ele nasceu, etc. Deve ter placa até no muro onde ele mijou. Os caras curtem arte.

E se você trombar com um mendigo, não estranhe. Eles estão cada vez mais comuns por lá. Esse aqui pelo menos estava feliz, cantando como se fosse um vocalista do Gypsy Kings. Mas o pior são as ciganas. Uma veio pra cima de mim com aquele papo de me dar “um regallo” e tentou ler minha mão pela bagatela de “25 euros”. Como eu acredito em leitura de mão tanto quanto em “prostitutas virgens”, puxei a mão e fui embora. Ela me seguiu, xingando até a minha 5ª geração. Tenso.
Só faltou assistir a uma tourada, que ainda resistem em poucas cidades. É uma tradição violenta e cruel? Sim, mas não tão cruel quanto tentar andar na Praça da Sé à noite. Os espanhóis deixam a violência para as arenas oficiais e restaurantes. Para mim, faz mais sentido.
Eu voltaria para a Espanha numa boa. Se a crise continuar do jeito que está, talvez eu até compre o país com o que sobrou no meu cofrinho.
Marcadores: Um repórter na roubada
7 Comments:
Aquilo é um mendigo? Nem parece.
Anônimo: incrível, mas é um mendigo! Os mendigos de la devem viver melhor do que os daqui!
Pintxho e tapa? Vai ver é que todo cozinheiro espanhol é gay!!!
España, España me encanta, me gusta d+
os miolos do camarão na verdade são fezes. vai tudo pra cabeça dele e nao devemos comer. por isso ela é cortada.
argh.
Tio Walter, teve umas boas férias, hein?
Isso tudo depende de em que parte da Espanha vc esteve. Acho que não visitou a Galícia, que é lá pra perto de Portugal, e nem a região de Ibiza. A Espanha varia muito.
Sou de origem espanhola, meu pai era galego. A Espanha tem coisas muito onitas sim, mas tem um lado insuportável: serem uns merdas naquela porra toda, mas bastar dar umazinha dentro pra se gabar como reis. Argh. Da minha experiência, todo espanhol é arrogante. E safado tb, haja vista que nos anos em q meu pai era vivo e eu convivia mais com esse lado da família, um vivia passando a perna no outor, nos negócios. Enfim.
Fique com a Espanha só pra turismo mesmo e economize seus trocados, rsrsrs
Vê se não some!
Patrícia: pelo que pude ver epelos contatos que tive, a Espanha é um continente, tamanha a variedade de regiões e sotaques. Espero voltar para ver outras regiões. Quanto ao lado "escroto" que muita gente falou, não tive chance de ver - sorte minha. E não sumo, pode deixar!
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