terça-feira, julho 19, 2011

EU SOBREVIVI À ESTRÉIA DO NOVO HARRY POTTER

O cinema é mesmo incrível. Faz a gente esquecer que é um animal racional. Quando vi Titanic tinha gente torcendo para o navio não bater no iceberg. Juro. O navio ia virando para escapar da batida e neguinho ficava gemendo: “Vai...vai...” Deu vontade de gritar “Vai pra onde, cara pálida? Não te contaram que morre todo mundo!?
Fãs de Harry Potter também curtem perder a cabeça. Eu nunca fui fã do bruxinho. Na primeira vez em que me falaram para ver um filme cheio de gente com “varinhas mágicas”, eu pensei que era um filme pornô. Mas topei ver a estréia do último episódio. E sobrevivi. Não sei como.
Duas horas antes do filme começar já tinha umas 30 pessoas na fila. Um povo esquisito com capas e cachecóis num dia de 20 graus centígrados. Em meia hora a fila ficou abarrotada. 15 minutos antes da sala abrir, duas garotas na minha frente davam pulinhos: “Vai abrir, vai abrir!” Crianças de 10 anos? Não: elas tinham pelo menos 20 anos.
Quando o bilheteiro liberou a passagem, todo mundo saiu correndo, gritando e atropelando, como touros espanhóis. As pessoas se estapeavam para escolher o melhor lugar. E durante o filme, um festival de gritinhos ansiosos de gente torcendo, mesmo sabendo a história de cor. “Vai...vai!” Deviam ser filhos daquele pessoal que viu o Titanic e se surpreendeu.
Os fãs choram ao ver o filme. De soluçar. Uma senhora do meu lado (60 anos, no mínimo) fungou por uns 40 minutos. É legal descobrir que filmes ainda emocionam as pessoas. O povo aplaudia, vibrava. Só estranhei quando vi gente perguntando “O que vou fazer agora, depois do fim da saga?”. Sei lá. Que tal, tipo assim, “viver”?
Entranhei um bocado os personagens, mas curti. É tudo meio esquisito. Os professores da escolinha são feios, velhos e deformados. E, mesmo assim, são professores mais normais do que aqueles que eu tinha quando era moleque. E os personagens andam de vassoura! Por que não usam um aspirador? Ou, sei lá, um vaporetto?
Eu entendo o sucesso de Harry Potter. Ele leva mesmo as pessoas a um mundo de fantasia. Imagine: um bando de adolescentes no auge dos hormônios e ninguém dá nem uma pegadinha? A platéia urrou entusiasmada quando uma dupla de bruxinhos se beijou – finalmente, depois de 7 FILMES! Na vida real os dois já estariam no 3º aborto.
Ah, e finalmente vão fazer uma versão pornô de Harry Potter. Com tantos anões, varinhas e animais “mágicos”, eu acho que até demorou para alguém sacar a ideia. Estou louco para ver. Talvez aí eu entenda alguma coisa.

Marcadores:

13 Comments:

Blogger Rodrigo said...

Sou hostilizado por não gostar de Senhor dos Aneis e de Harry Porter! Ainda bem que que algumas pessoas concordam comigo!

terça-feira, julho 19, 2011  
Blogger Fábio Mayer said...

Walter Carrilho para presidente!!!

terça-feira, julho 19, 2011  
Blogger Palhano_Silva said...

Talvez você não estranharia tanto se você começasse a assistir (ou ler, que é melhor) desde o primeiro episódio da saga. Aqui não faço nenhuma apologia à série e até concordo em partes com você, apesar de gostar um pouco da série, mas eu tenho vida fora da série e não sou nenhum fã alienado. É apenas uma sugestão. No mais, excelente post. Por isso que eu sou seu fã. Você fala pouco, mas fala bonito!!

Visite(m) o meu blog: http://pensamentosepitacos.blogspot.com/

terça-feira, julho 19, 2011  
Anonymous Anônimo said...

Eu também gosto de Harry Potter. Mas o povo da fila exagera. Com Guerra nas Estrelkas é a mesma coisa. Parece baile de fantasia!!!

sexta-feira, julho 22, 2011  
Blogger MisplaceD said...

Walter Carrilho falou tudo agora! hahaha
Mesmo se fosse a melhor estória do mundo, não justificaria essa idolatria e essa atitude, no mínimo irracional, que grande parte desses "fãs" fazem.

sexta-feira, julho 22, 2011  
Blogger Patrícia said...

Pô, eu fui maníaca de Senhor dos Anéis. De querer ir no dia de estréia e fazer esquema com os amigos pra ir todo mundo junto e curtir. Vou falar que foram as sessões mais divertidas de cinema que já participei. Pq o povo torcia na platéia quando o Legolas dava as piruetas doidas pra montar no cavalo, e porque todo mundo ali já tinha lido o livro e se emocionava coletivamente nos momentos chave da história. Não sei explicar porque, mas é legal. Acho que tem haver com gostar muito de algo e não suportar nego que fica no celular fuçando em facebook no meio do filme parando pra perguntar se o Frodo não vai ficar com ninguém no final. Mas entre SDA e HP, pra mim, sempre haverá uma diferença maior do que o Abismo de Helm: Tolkien escreveu seus livros porque seu universo era completo e enorme, possuindo até vários idiomas próprios. Já a Sra. Rowling faz tudo o que a editora mandar. Se precisar, o personagem morre e ressuscita mais vezes que um Sayajin. Sempre verei uma diferença de qualidade entre um autor cuja obra é respeitada e cuidada pela editora, em contraste a outro cuja obra é livremente manipulada para a mera obtenção de lucros. Se Tolkien estivesse no patamar de Rowling, nós teríamos hoje "as aventuras dos filhos de frodo" nas prateleiras.

sábado, julho 23, 2011  
Blogger Rodrigo said...

Patricia, não me leve a mal, mas Senhor dos Anéis é um lixo tão fedorento quanto Harry Potter! A ambientação é fantastica mas a história é fraquissima. Grande Obra Literaria? O pessoal ta precisando ler Kafka, Philip K. Dick e até mesmo Stephen King...

segunda-feira, julho 25, 2011  
Blogger Palhano_Silva said...

Rodrigo: Não precisa ir muito longe: entre os brasileiros, temos Drummond, Machado de Assis, Visconde de Taunay, entre outros. Mas já que é para falar de literatura mundial, Shakespeare, Cervantes, Nabokov, Dostoievisk (não sei se é assim que se escreve). Entre as literaturas de entretenimento, muito marginalizadas por pseudo intelectuais, temos Khaled Hosseini, etc. HP e SDA não são ruins, mas estão longe de ser consideradas Grandes Obras da Literatura.

terça-feira, julho 26, 2011  
Blogger Rodrigo said...

Palhano belos exemplos que você usou, esses autores escreveram grandes obras literarias! Tolkien escreveu Senhor dos Aneis, O hobbit e Silmarillon (por sinal é o mais fraco e chato de todos). Dão a Tolkien o crédito de pai do RPG, o que é uma grande Lorota por que os criadores de D&D dizem que Tolkien não foi a inspiração deles...

terça-feira, julho 26, 2011  
Blogger Palhano_Silva said...

Como voce disse, Rodrigo, a ambientação do SDA é fantastica. E é mesmo, mas não deve ser tratado como o supra sumo da literatura. A história eu só conheço por cima. Mas os livros que eu citei acima são os cânones da Literatura mundial

quarta-feira, julho 27, 2011  
Blogger Patrícia said...

Os autores citados não escreviam no estilo de literatura de fantasia (leia-se fadas, elfos, magos, etc). Comparar Tolkien com Drummond é tão inútil quanto comparar uma abóbora com um sapo.
Me parece que ambos os comentaristas só lêem o que querem dos comentários. Eu NUNCA disse que Tolkien era o melhor escritor do mundo, só disse que EU sou muito fã da obra dele e a considero respeitável, principalmente se comparada a Harry Potter, especialmente pelo vasto trabalho que o autor teve para criar aquelas ambientações, que são exatamente o que eu gosto da obra dele.
Por último, é muito fácil afirmar o que é bom e o que não é com base em cânones. Difícil é, conhecendo os cânones, ter maturidade para reconhecer que mesmo os melhores possuem suas "falhas" e que nada existe para agradar a todos, e passar então ao estado de admirar sem idolatrar. O que é, de fato, uma das principais, senão a MAIOR mensagem deste blog.

domingo, julho 31, 2011  
Anonymous Maximilian said...

"Dão a Tolkien o crédito de pai do RPG, o que é uma grande Lorota por que os criadores de D&D dizem que Tolkien não foi a inspiração deles..."

Então eles estavam mentindo descaradamente. Quem tem o manual do D&D 1a edição sabe que D&D só não é mais inspirado em O Hobbit por medo de processo. Elfos são guerreiros com poderes mágicos; halflings são iguais aos hobbits (aliás, dizem, só não são hobbits porque a família Tolkien não liberou o nome); dragões são fissurados por acumularem tesouros em seus lares; céus, até a tabela de "chance de encontrar um dragão adormecido" é copiada descaradamente do encontro entre Bilbo e Smaug. A única coisa que não tem a ver com Tolkien no D&D é o clérigo, porque o velho mestre achou por bem deixar a religião de fora da obra dele (apesar de ser um católico fervoroso, mais uma razão para minha admiração; comparem com o cretino que escreveu As Crônicas de Nárnia, puro lixo católico mal disfarçado).

Pode ser que a 3a edição pós-Tome of Battle e a 4a edição realmente sejam menos Tolkien e mais Dragonball Z e World of Warcraft (afinal, Gandalf não podia conjurar Parar o Tempo, Portal ou Muralha Prismática). Mas a coisa começou, lá na década de 70, inspirada pelas histórias de Tolkien.

(A bem da verdade, não lembro de Dave Arnenson ou Gary Gigax jamais dizendo que não se inspiraram em Tolkien)

sexta-feira, agosto 05, 2011  
Blogger Rodrigo said...

Pode procurar, esses componentes que você citou o proprio Tolkien não criou, ele se baseou em centenas de contos, dos quais os criadores de D&D também se basearam, halflings por sinal tirando o tamanho não vejo nenhuma semelhança com os Hobbits... Hobbits são inuteis e você sabe disso. Tolkien deveria ser considerado o primeiro mestre de RPG pq Senhor dos Anéis é uma aventura criada por um mestre bem chato e tedioso!

terça-feira, agosto 09, 2011  

Postar um comentário

Link permanente para este post:

Criar um link

<< Home