quarta-feira, fevereiro 10, 2010

O CÓDIGO DJAVAN

O livro “O Símbolo Perdido”, de Dan Brown tem vendido horrores. O que muita gente não sabe é que o autor de sucessos como “O Código DaVinci” já está produzindo um novo best seller: “O Código Djavan”. Na história, o pesquisador Robert Langdon vem ao Brasil descobrir quem matou a MPB. E todas as pistas estão espalhadas em músicas do Djavan.

A história promete. O herói do livro é um sujeito que está acostumado a decifrar códigos matemáticos, charadas, etc. Mas ele sua frio diante de letras como “Pétala”:

“Asa do meu destino
Clareza do tino
Pétala
De estrela caindo
Bem devagar”


A trama leva Robert a uma conspiração engendrada pela sociedade secreta “Odara ou desce”, liderada por Caetano Veloso. Formada por pessoas como Lenine e Max de Castro, a sociedade tem o costume de assassinar músicas indefesas com aliterações e metáforas metidas a besta. Com o objetivo de espalhar o caos e letras sem sentido, a sociedade teria se inspirado em Djavan para criar um gênero musical em que a pretensão e o uso aleatório de palavras supostamente exóticas têm mais valor do que a poesia honesta. Eles teriam assassinado Vinicius de Moraes com uma dose de uísque envenenado.

Caçado por críticos baba-ovos, fãs ensandecidos e o fantasma de Wally Salomão, Robert tem apenas 24 horas para decifrar o enigma antes que Gilberto Gil lance um novo disco e dê início a mais uma geração de cantoras-revelação e cópias pioradas do Otto. A aventura o leva a enfrentar desafios terríveis, como uma entrevista com Amaury Jr e uma luta homem-a-homem com o guarda-costas de Caetano, a terrível “Paulinha”.

Robert conta com a ajuda de Maria Carolina. Surge a possibilidade de um romance, mas o personagem se frustra ao saber que a cantora está mais para Zélia Duncan do que para Elis Regina. Depois de escapar de resenhas de vinhos feitas por Ed Motta e dos gritos de Edson Cordeiro, o pesquisador conclui que, bem, é isso aí mesmo, “Açaí, guardiã/ zum de besouro/ um imã.”
Vai ser um sucesso. Ou não.
PS: os links da matéria trazem pistas adicionais que podem ser importantes para a compreensão do texto. Ou apenas provam que o autor do blog está perdendo tempo no Google.

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sexta-feira, setembro 28, 2007

O HOMEM QUE FALAVA DJAVANÊS

Djavan é o cara responsável por versos como “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã”, que geram dezenas de monografias em cursos de letras e algumas câimbras no meu duodeno. Pois ele está de disco novo: “Matizes”. E para homenagear esse “poeta”, escrevi este texto em Djavanês.

Cacatua, sol da manhã, um suco de maçã. Neste novo disco, Djavan, este filho do luar, revoada de pombos, araçá, Zimbabwe, inovou. Na canção “Imposto”, ele mostrou o seu lado indignado e engajado, parangolê, maracujá, nuvem no céu, em uma crítica à carga tributária:

“IPVA, IPTU / CPMF forever / É tanto imposto / Que eu já nem sei!. (...) Eles nem tchum”

O “nem tchum” é, obviamente, fruto de alguma influência parnasiana. Bumba meu boi, meu rei, meu oi. No próximo disco ele promete musicar uma medida provisória, ou fazer uma crítica à cotação do dólar. Seu olho, repolho, alegria de ser. Deputados, intelectuais e economistas não convencem o governo. Mas nada mais assustador do que um músico de MPB “revoltado”. Se eu fosse ministro, abolia o ICMS. Só de medo.

O mais legal em Djavan, esse iansã, calor, grão de areia no ar, é que ele anima qualquer imbecil a ser compositor. Vejam o meu caso: musiquei a minha lista de compras. Ficou assim:

Arroz, ovo e canela / Mate-leão/ tomate, berinjela/ sal e um monte de pão”.

Estou pensando em chamar essa música de “Carrefour”. Flor no orvalho, lamour, sabor de mel. Acho que vai bombar.

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sexta-feira, agosto 21, 2009

4 SUGESTÕES PARA VOCÊ ABRIR A SUA PRÓPRIA IGREJA

Com o escândalo envolvendo Edir Macedo, muita gente finalmente percebeu que existem formas mais indolores de amealhar uma grana - ou pelo menos mais fáceis do que entrar no tráfico ou na família Sarney. Aqui vão algumas sugestões bacanas para você criar a sua própria igreja e comprar aquele tão sonhado iate. A vantagem é que essas sugestões não obrigam os homens a usar calça de tergal, o que facilita um pouco a sua vida.

- Igreja Universal do Reino de Djavan: escrituras sagradas são sempre enigmáticas e cheias de múltiplos significados. E ninguém supera Djavan na arte de escrever frases indecifráveis. “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã” é praticamente um Sermão da Montanha mais pós-moderno.

-União Onanista da Luciana Vendramini: partindo do princípio que um deus é um ser que ninguém vê, toca ou cheira, concluo que Luciana é um ser divino. Trata-se de uma divindade cercada por uma intrigante dualidade, já que ela foi pra cama com o Paulo Ricardo, provando que o bem às vezes se alia ao diabo. Os adeptos são facilmente reconhecidos pelas espinhas na cara e as mãos peludas.

-Ordem do Sagrado Mario Bros: igreja que se destaca pela sua liberalidade em relação às drogas. Afinal, o deus adorado pelos fiéis dessa igreja tem o costume de se alimentar de cogumelos e soltar bolas de fogo. Concorrente direta da Ordem “Aperta Mais Um”, de Marcelo D2.

-Mussunaria: não é bem uma igreja, mas uma sociedade secreta. Esse grupo que cultua o mitológico Antônio Carlos, o Mussum, não exige sacrifícios nem oferendas. E você ainda bebe à vontade.

Claro, todas essas igrejas são fajutas. Afinal, todo mundo sabe que só existe um deus e ele atende pelo nome de Chico Buarque.

PS: ao contrário do que muitos podem pensar, sou uma pessoa religiosa e não gosto de brincar com assuntos espirituais. Mas a igreja de Edir Macedo não tem nada a ver com religião. Esta mais para pirâmide ou Amway. Podemos zoar à vontade.

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sábado, julho 29, 2006

O "TOCA RAUL" NÃO FUNCIONA.

Não curto fazer piadas com religião. Afinal, cada um acredita ou não no que quiser. Eu, por exemplo, acredito que a Luciana Vendreamini é uma lenda da mitologia grega. Mas às vezes vale a pena tomar umas pedradas e não perder o post. Eu recebi um e-mail pra lá de curioso: o anúncio de um curso para djs católicos. Eles tocam músicas religiosas em ritmo eletrônico. É o projeto ElectroCristo. Eles têm um disco lançado e já organizaram até uma rave católica.

Ok, bacana, justo...mas...putz, onde vamos parar, hein, Juquinha? Ave Maria em versão psytrance? Rave, pra mim, só rola com algumas cervejas na cuca. Como é que fica? E aqueles mais nervosinhos que dependem de um aditivo químico fazem o que? Trocam ecstasy por hóstia?

A música eletrônica (que eu adoro) está virando aspirina: serve para tudo. Não faz muito tempo que lançaram até um cd com versões eletrônicas do Djavan. Eu achei que era o limite. Ok, entendo: música eletrônica não precisa mesmo de letras com algum sentido. E as músicas do Djavan não têm muito nexo (ok,vai me dizer que “Açaí, guardiã/ Zum de besouro um Imã” faz sentido para você???). Já tem tecno-bossa (a praga dos cds de lounge), tecno forró...O inventor do sampler deve estar arrependido.

Aguardo ansiosamente o lançamento de um cd com Cid Moreira lendo poesias de Camões em ritmo de tecno-pós-neo-talmúdico.

PS - xiitas de plantão: a piada não é religiosa, mas musical. Sem essa de mandar carta bomba ou de colocar monge ninja na minha captura, ok? O zelador do meu prédio já está avisado. e quando ele bebe fica num humor que dá medo.

sexta-feira, maio 27, 2011

A BANDA MAIS SEM GRAÇA DA CIDADE

Sim, Juquinha, esta todo mundo encantado com o clipe de “Oração”, da Banda Mais Bonita da Cidade. Sim, é fofo. Se é a banda mais bonita da cidade eu não sei, mas é a maior coleção de camisa xadrezinha que eu já vi. Parece que sequestraram uma fila do "Festival Almodóvar" e trancaram em uma casa. Tomara que tenham esquecido a chave.

Tem aquele clima de festa com incenso barato e vinho Chapinha acompanhado de bolo de tofu. Aquele tipo de festa em que metade é designer e a outra é antropólogo – isso porque não estou contando o casal de artistas plásticos trancado no banheiro e nem o poeta maldito que ficou vomitando embaixo do sofá.

É aquela festa que tem sarau. Que tem puff quadriculado. E um suporte repleto de bolsas de tricô. Às 3 da matina alguém sugere uma discussão sobre os rumos do teatro. Pouco antes daquele babaca que acha mais um violão e sugere “E aí? Bora tocar uma da Legião?”

Não é a melodia de programa infantil que me incomoda. Nem o sorriso besta que todos mostram, como se estivessem esperando o efeito do Rivotril passar. É a impressão de que todo mundo fugiu de uma clínica de clonagem, onde um cientista sádico criou uma leva de ripongas a partir de um cruzamento de Djavan com Oswaldo Montenegro. Olha só que coisa: Marcelo Camelo e Mallu Magalhães mal se conheceram e já pariram uma dúzia de filhotes.

A banda tem mais clipes no youtube. Tem sempre os integrantes tocando com aquele ar reflexivo de quem carrega o peso da existência nas costas porque ainda não recebeu a mesada do pai pra descer pra Maresias. E o maldito violãozinho fazendo blim-blom. Nem um galão de Gardenal é tão anestesiante.

Como? A banda teve mais de 1 milhão de acessos no Youtube? Ok. Mas esse vídeo com um monte de gatos se esborrachando tem quase 20 vezes mais acessos. E daí?

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sexta-feira, agosto 19, 2011

MEU ENSAIO SENSUAL

Juquinha, para ter fama nesse país é preciso publicar um ensaio sensual. Qualquer pitchula com QI de bidê consegue mais repercussão abrindo as pernas do que um intelectual escrevendo. Então decidi apelar também. Aqui vai o meu polêmico, aguardado e sensacional ensaio sensual.

Como manda a tradição, tirei as fotos em algum lugar “exótico”, frequentado por bacanas. Como estávamos em pleno inverno, a fotógrafa decidiu ambientar o ensaio na Riviera dos playboys paulistas: Campos Do Jordão, aquele lugar onde nego come fondue e sonha estar em Aspen.

O problema é que com um frio de 2 graus não deu para tirar muita roupa. Mas o ambiente deu um certo glamour. Saca só a névoa, a lareira, e a minha cara de constipado. E a foto comigo tirando a luva, não sei, me pareceu um ato de subversão estético-linguístico. Uma merda dessas. Obra de arte, cara. 

E para causar mais impacto, convidei os maiores poetas do Brasil para escrever as legendas. Coisa fina.

“Walter é Iansã, luar de manhã, noz pecã.
Marujo do mar, sonrisal de amargar, eu quero mais é rosetar.
Açaí, berinjela, ponho meu carro na banguela.
Samurai a toa, bêbado na canoa
DJAVAN


“Walter/ Wal. Ter um wal.
Wal-ter/ Ter/ Temer/ Meter
Me ter/ Me quer/
Mal me quer, bem me quer.
Cidade.
ARNALDO ANTUNES

“Quando tive dor, eu chorei
Quando tive diarréia, defequei
Quando fiquei enjoado, babei
Quando me perguntaram, eu disse: não sei”
Pra quem eu to escrevendo essa trolha mesmo, gente?
CHICO CÉSAR

“Gosto muito de te ver, Walterzinho
Escrevendo essas merdas sob o sol"
CAETANO VELOSO
Morda-se de inveja, Galisteu!

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