sexta-feira, novembro 09, 2012

OS AMERICANOS COMEM CRIANCINHAS?


Nos anos da Guerra Fria, tinha gente que encarava os soviéticos como alienígenas sugadores de cérebro. Hoje a gente sabe que eles são como nós, apenas com algumas  doses de vodka a mais. Agora o papel de vilões mundiais cabe aos americanos.

É tudo culpa deles, você sabe. Comparamos os caras aos romanos que barbarizavam o mundo há alguns séculos - como se os outros povos bárbaros fossem bonzinhos, lógico. Tem gente que torce para ver os americanos se ferrando.

Vi gente comemorando a passagem do furacão Sandy por Nova Iorque. Um clima de “chupa, gringo!” É comum ter gente que vê erro em tudo o que se relaciona com os americanos. Por exemplo: a cobertura da mídia sobre o furacão. As reclamações sobre o foco quase exclusivo dado para os efeitos da tragédia nos EUA é justa. Mas dizer que é uma imposição dos americanos é balela.

Sim, Cuba e Haiti também sofreram os efeitos de Sandy. Mas os jornais do mundo têm pencas de correspondentes nos EUA. E nem sei se dá para ter correspondente no Haiti ou em Cuba, manja? Jornalistas são preguiçosos. Quem vai querer ir para Haiti? Os cafés de Nova Iorque são mais bacanas.

Mas os americanos nos deram algumas lições. Os casos de pessoas que tinham acesso a energia elétrica e deixavam os outros carregarem os celulares pulularam na mídia. Se fosse no Brasil, nego estaria cobrando 50 pilas a carga. Estou exagerando? Então basta se lembrar daqueles cretinos que roubaram suprimentos enviados para vítimas de tragédias em Santa Catarina. Somos gente fina, não? 

Americanos, até onde sei, não têm uma Nana Gouveia para tirar fotos posando ao lado de destroços. Se ela pegar gosto por esse lance de tirar foto de tragédia, em breve vai tirar fotos ao lado do próximo disco de Caetano Veloso. Americanos têm Lady Gaga. Que é ridícula, mas pelo menos não sai por aí dizendo que curte namorar durante furacões.

Também vi muita gente comentando a complexidade da eleição americana, defendendo a ideia monga de que nós somos democraticamente mais avançados só porque temos urnas eletrônicas. Sugestão? Leia meu último texto sobre eleições e pare com essa ideia de merda.

Americanos são estranhos e, muitas vezes, estúpidos. Não confio em um povo que faz churrasco de hambúrguer e gosta de baseball, essa porra de esporte que ninguém entende. Como todo país, eles têm ilusões de grandeza. E mitos fundadores fajutos (o cowboy do velho oeste é tão furado quanto a nossa imagem de bandeirantes arrumadinhos e “heroicos”). Mas eles são uma nação com alguns valores.

Exemplo: na festa da vitória de Obama, o que se viu foram pessoas agitando bandeiras do PAÍS. Não se via bandeiras de PARTIDO. O que talvez mostre que, para eles, o país é maior do que as picuinhas políticas. Vamos combinar que aqui é bem diferente?

Mas o mais engraçado é que os que falam mal dos EUA nas redes sociais geralmente usam Iphones para fazer seus comentários. Bitch, please...

Marcadores:

quinta-feira, outubro 04, 2012

CARLINHOS, PEGA NO MEU E CHACOALHA.

A notícia é da semana passada e tem leitor pedindo comentário. Como ADORO o Carlinhos Brown, aqui vai.

Vocês viram, né? Carlinhos Brown ganhou status de inventor por ter “criado” a Caxirola, uma trolha que foi adotada como um dos instrumentos oficiais da Copa de 2014. Passei os últimos dias rindo com a notícia. 

Porque toda vez que governos tentam enfiar cultura e identidade nacional goela abaixo a coisa resulta em vexame. Assista ao vídeo com Carlinhos explicando “como torcer com a caxirola”. E me diz se não dá vontade de ir ao estádio e torcer pela Argentina.



Consegue imaginar a cena? Você e seus amigos deixando de levar pandeiro, corneta e bumbo para levar a caxirola? Esperar que a torcida use um instrumento “oficial” é uma ideia tão monga quanto criar um palavrão padronizado  para xingar juiz. 

Por isso, fica a dica: seu dever moral é deixar essa bagaça encalhar. Comprar a caxirola é assinar atestado de retardamento mental. Afinal, você vai aceitar a ideia de que Carlinhos Brown sabe o que é bom para você e o país? Reflita.

A vuvuzela foi um fenômeno autêntico (e pavoroso) da última copa. Querer repetir o fenômeno com uma canetada oficial não é só ridículo. É uma ofensa. Se a ideia é criar um instrumento tão irritante quanto a vuvuzela, que tal colocar o próprio Carlinhos falando sozinho na torcida?

Vai ser o maior encalhe da história da indústria brasileira, podem apostar. E se não for, é porque nós somos uns bunda moles, mesmo.

Marcadores:

quarta-feira, julho 11, 2012

NÓS, PAULISTAS FASCISTAS E HORROROSOS

Ser paulista é um inferno. Significa morar em um estado que, além de caótico, é constantemente usado como bode expiatório da babaquice que impera em todo (vamos frisar isso: TODO) país. É como se São Paulo, particularmente sua capital, fosse uma espécie de “eixo do mal”, de onde toda a escrotidão brota.

Eu sou paulista e não tenho nem um pingo de orgulho por isso - e nem vergonha, também. Na verdade, se eu tivesse nascido em outro lugar, não seria diferente. Sempre achei “nacionalismo” e “orgulho das origens” (seja da cidade, estado ou país) um troço muito besta e sem sentido. Eu mesmo adoro tirar sarro do lugar onde vivo.

Mas tenho ficado meio cabreiro com o incentivo ao bairrismo que rola tanto na internet como na imprensa em geral. Parece que virou um novo esporte nacional fazer o resto do Brasil crer que São Paulo é um enclave de estupidez. Imagine um carioca cansado do estereótipo de folgado. Ou um baiano de saco cheio da pecha de preguiçoso. É a mesma irritação que sinto.

Toda vez em que a besta do Kassab e o chuchu sem sal do Alckmin cometem uma de suas arbitrariedades, toda a população de SP é taxada de fascista (ô palavrinha fora de moda, hein, meus queridos?). Se um homossexual é assassinado ou se rola pancada em uma manifestação de rua, TODOS os paulistas automaticamente viram cúmplices, como se todos formássemos uma massa homogênea de bestialidade e intolerância.

Gostaria de saber: a partir de que momento o resto do Brasil virou um país moderno, com povo de mente aberta e políticos vanguardistas? Quer dizer que Sérgio Cabral, o governador do Rio, é um cara sensível e humanista? Que a família Sarney, que domina o Maranhão há milênios, é composta por pessoas profundamente preocupadas com o social? O país inteiro aprendeu a votar em políticos decentes, menos São Paulo?

Ok, isso quer dizer, também, que em todos os outros estados o povo é moralmente liberal e tem ideias progressistas sobre sexo, raça e comportamento? Não existe assassinato de gays em, sei lá, Goiás? A marcha da maconha seria perfeitamente aceita no Amapá? Não existe preconceito racial no Rio Grande do Sul? E que moradores de terrenos ocupados nunca são expulsos pela polícia em nenhum outro lugar do Brasil?

O pior é que paulista não pode falar mal de outras regiões do país, nem elogiar seu próprio estado, porque é logo ridicularizado por ser “xenófobo” ou por representar o ”orgulho de uma elite decadente”, uma merda dessas. Aliás, que diabo de “elite” é essa que só existe aqui? Meu Deus, quer dizer que não tem playboy metido a besta em Pernambuco ou no Paraná? Só aqui?

Vamos encarar? O Brasil é lindo, sim, mas é atrasado, conservador, desumano, intolerante, politicamente ridículo e moralmente travado. E, pior: como agora temos mais grana, viramos um país "novo rico", ainda mais jeca e preconceituoso.

Pronto, falei. Agora vamos falar de outro assunto, por favor? O que a Maria Bethânia anda aprontando, hein?

Marcadores:

quinta-feira, abril 26, 2012

QUE A NATUREZA SE DANE

Eu ando meio cansado desse povo que vive me cobrando para pensar na natureza, ser ambientalmente correto, etc. Não acho justo fazer isso sem uma contrapartida. A vida do mico leão dourado pode não ser fácil, mas a minha também não é moleza. E aí, o Greenpeace topa me proteger?

Nós não pedimos para ser a espécie dominante na Terra. Os animais estão cansados de serem caçados? Sinto muito: esforcem-se mais da próxima vez e peguem um lugar melhor na cadeia alimentar.

Por que eu tenho que me preocupar com raposas e focas? Aposto que, se pudessem, elas é que usariam casacos de pele humana. Se leões tivessem espingardas e jipes tenho certeza que fariam safáris para nos caçar nas férias.

Existem milhões de espécies de animais. De repente nem precisamos de todas elas. A gazela de chifre azul está desaparecendo? Ok, ainda tem a de papo dourado, a de rabo grená, etc. Talvez não faça falta, sei lá.

E dizer que somos cruéis com os animais é exagero. A natureza já é cruel com eles. Você acha a Baixada Fluminense barra pesada? É porque nunca viu um documentário sobre o fundo do mar. Os peixes comem uns aos outros, sem pedir ou aplicar anestesia. Caem de dente em cima e pronto.

Aliás, vocês sabem como uma aranha se alimenta? Ela injeta veneno paralisante nas suas vítimas. Em seguida, injeta ácido para dissolver o bicho por dentro. VIVO! E depois chupa tudo de canudinho. A natureza é sábia? Ela é cruel, isso sim.

E seria cruel conosco também, se déssemos mole. Se as aranhas fossem grandes e inteligentes aposto como frequentariam rodízios de gente: "Quer um pedaço de asiático ou vai esperar o caucasiano ao alho?" Por isso, sempre que vejo uma aranha eu piso e sapateio. É para mostrar quem manda na bagaça. Vai que uma delas começa a ter sonhos de grandeza?

Enfim, somos a espécie dominante do planeta. E quem domina tem privilégios, sinto muito. Mas se os golfinhos ou pinguins quiserem o nosso lugar eu topo passar o comando numa boa. Desde que me deixem no zoológico, quietinho. Teria comida e tratamento médico de graça.  E todo mundo diria “Olha que coisa fofa aquele humano!”

Juro, eu topo mesmo.

Marcadores:

quinta-feira, abril 05, 2012

RENDA-SE À ORKUTIZAÇÃO, CARA PÁLIDA

Orkutizar é um termo cretino que pegou. É tipo “preto de alma branca”: um termo reaça que o sujeito usa achando que é “menos ofensivo”. O alvo do momento é o Instagram, que agora pode ser usado por quem tem Android – e não apenas usuários do Santo Graal da tecnologia, o Iphone.

Exclusividade é uma coisa que precisa ser defendida na base da ignorância disfarçada, vocês sabem. Chamar a popularização do Instagran de “orkutização” é ser reaça. Com dedo mínimo levantado e combinando com o vinho certo. Mas é reaça. Ponto.

Antigamente a “elitezinha cultural” reclamava apenas quando pessoas de menor renda tinham acesso ao que garantia estilo e tecnologia. Agora querem monopolizar a cafonice, também. É como se, de repente, dirigir fusca virasse moda e só o povo que tem um Crossfox na garagem pudesse curti-la.

Vamos combinar: tirar foto do que comeu é cretinice. Não importa se a foto é de sushi ou de esfiha do Habib´s. Não é cafona porque o sujeito comprou um celular em 24 vezes. É cafona porque é cafona (e nada mais cafona que a própria palavra “cafona”). É cafona pela falsa ilusão de revelar sensibilidade e repertório artístico. É tipo Ana Maria Braga desfilando com um livro de Tolstói, saca?

Aprendam: uma coisa só é “orkutizada” (com perdão pelo uso do termo) se essa coisa já era, na essência, estúpida. O Facebook foi “orkutizado” pelas fotos e mensagens babacas? Sinto lhe dizer, mas aposto como você já tinha esse costume de tirar foto fazendo biquinho na frente da câmera.

Ninguém mandou defender a democracia, cara pálida. Agora você vai ser obrigado a perceber o quão cretino você já era. A turma do fundão também vai poder exibir as mesmas manias mongas que você. Quer exclusividade? Volte para a Europa da Idade Média e torça para ser aceito como barão. Ou procure pela próxima modinha. Sugestão? Algo me diz que Diplink ainda vai virar hype.

Fico aqui torcendo pelo dia em que Almodóvar será apreciado pela turma da perifa, só pelo prazer de ver leitores da revista Bravo jogando fora suas cópias de “Fale com ela".  "Almodovar? Muito orkutizado por meu gosto". Vai ser engraçado.

Marcadores:

sexta-feira, março 30, 2012

DITADURA DO GOSTO É COISA QUE NÃO EXISTE

Ninguém é obrigado a detestar uma coisa apenas porque alguém diz que ela é ruim, certo? Mas e se a gente invertesse as coisas? E se você fosse obrigado a gostar de algo nitidamente medíocre apenas para não ofender o gosto vigente?

Se orgulhar do suposto “bom gosto” que você tem é babaquice. Mas se orgulhar do mau gosto também é de lascar, convenhamos. Pois existe por aí um movimento disseminado em redes sociais que trata o mau gosto como se ele fosse uma bandeira de autenticidade.

É gente que defende o direito de gostar de BBB. Que acha legítimo ouvir funk carioca orgulhosamente sem fone. Que considera “inspirador” a Época estampar Michel Teló na capa como símbolo dos “valores da cultura popular”. É um povo que diz se defender da “ditadura do gosto”.

Crianças, a ditadura do gosto não existe. Você tem o direito de gostar do que quiser: funk carioca, Calcinha Preta, etc, não importa. Você só não tem o direito de esfregar o seu mau gosto na fuça dos outros. É uma lei de decência social.

Por exemplo: tem gente que gosta de comer cocô. Mas, por uma questão de educação, eles curtem o fetiche em casa e não na sua frente, na mesa do restaurante. E se você encontrar um desavisado apreciando um prato de cocô na mesa ao lado é seu dever cívico pedir para o sujeito se retirar.

Inundar o Facebook e o Twitter com notícias sobre a final do BBB, com as últimas novidades do Luan Santana, ou algum Trend Topic sobre o Restart equivale a comer cocô em praça pública. Tenha mau gosto. Mas não se orgulhe dele, ok?

Eu adoro filmes idiotas. Tenho surtos de nostalgia do tecnopop mais deslavado dos anos 80. E também me amarro em Doritos Nacho. Assumo tudo isso numa boa. Mas não imponho meu gosto a ninguém. Não obrigo ninguém a ver “A última despedida de solteiro” ou ouvir “Soft Cell” em casa. Nem sirvo Doritos na ceia de natal. Eu me contenho.

Os maços de cigarro trazem foto de gente com câncer para lembrar o fumante dos riscos que ele corre ao consumir o produto. Pois eu acho que trolhas como o BBB deveriam vir acompanhadas de fotos de pessoas com morte cerebral para avisar os espectadores do risco que correm.

Aliás, ontem teve final de BBB. Ok, você ficou acordado para ver. É direito seu ver a bagaça. E é meu dever avisar que você está com cocô nos dentes. É apenas um gesto educado, saca?

Marcadores:

terça-feira, março 27, 2012

SOMOS UMA GERAÇÃO MIMIMI.

Já fiz essa pergunta aqui: a partir de que momento nós viramos essa civilização mimimi, cheia de frescura, hein, meus queridos? Nossos antepassados, que descolavam o almoço a flechadas, devem estar morrendo de vergonha.

Eu me senti aliviado ao encontrar esse velho vídeo de Louis C.K. (não tinha visto, não, e daí?), grande humorista americano que poderia dar uma aula para nossos conterrâneos de como REALMENTE fazer stand up. Em uma ótima entrevista, ele reclama dessas pessoas que estão infelizes com tudo. Ou seja, todos nós. Se ainda não viu, veja, que é bacana:


Ok, não vou dizer que tudo é maravilhoso. Colonoscopia ainda é uma merda. E a tv a cabo no sábado de manhã é de chorar. Mas concordo que evoluímos a um nível incrível de conforto e praticidade. Poder jogar Tetris na fila do banco é uma comodidade incalculável para quem um dia jogou Telejogo achando que era uma coisa do outro mundo.

Estamos bem, cazzo. Seu tataravô daria um dedo para ter leite pasteurizado. Ou para não ter que esperar um trimestre para receber uma mísera carta. Daí que eu não entendo quem se comporta como se fosse o dia do juízo final quando o Twitter sai do ar. Merecemos umas chineladas.

E podíamos não afrescalhar mais a as coisas, não é? Sommelier pra vinho é ok. Harmonização de cerveja é quase aceitável. Cachacier já é viadagem. Mas sommelier de água é a puta que pariu, né?

Drama queens e esses defensores da vida perfeitinha têm mais é que voltar pra selva e fazer extração de siso sem anestesia pra ver o que é bom.

Marcadores:

sexta-feira, março 02, 2012

BBB É A NOVA SOCIOLOGIA DE BALCÃO

Tem gente por aí com complexo de Sérgio Buarque. Que banca o Roberto DaMatta do Twitter. É gente que, sério, tenta entender o Brasil, e por tabela, todos os seres humanos, por meio do BBB. É mais ou menos como pedir uma porção de camarão empanado e tentar analisar a vida marítima.

Não vejo essa bagaça nem sob ameaça de castração. Mas não dá para fugir do “debate”, que invade as redes sociais e as mesas do bar. Não consigo entender esse povo indignado com o comportamento de alguns dos competidores. O alvo atual é a tal da Renata, apontada como a vadia da vez (e vadia é o xingamento mais leve que rola por aí).

Reclamam do seu comportamento piriguete, pegadora, etc. Tem mulher reclamando que ela “ofende a raça”. Queridas, se mulher pegadora “ofende a raça”, então a Deborah Secco nunca mais vai estrear uma novela na vida. Que tipo de machismo encruado é esse, meninas? Ou é apenas vergonha daquilo que, no fundo, todo mundo gostaria de fazer, mas não faz porque "tem gente olhando”?

E tem homem reclamando do comportamento “vulgar” de alguns BBBS. Estão dizendo que essa edição bate recorde em baixaria. É como pegar filme pornô e reclamar “da falta de historinha”. “Essas pessoas mostram que o Brasil não tem mais moral e respeito”. Jura? E a gente já teve tudo isso um dia?

Sejamos honestos: o que vocês esperavam do programa? História de amor e discussões sobre fé, ética e bons costumes? A ideia básica do programa é pegar um bando de bagual, enfiar em uma casa com roupas mínimas e dar álcool à vontade. A opinião pública ficou horrorizada com a possibilidade de ter rolado um estupro lá dentro. Para mim, o milagre é esse estupro só ter rolado na 12ª edição.

Querem ver pessoas trancafiadas dando exemplo de comportamento? Vão para um monastério, cazzo. Esperar que BBB  revele algo sobre o seres humanos é como torcer pelo mais bonzinho no boxe, esporte cuja graça é emular arena de gladiadores. É como ver corrida de stock car e acreditar que "ninguém vai bater". Ou acreditar que um dia a Preta Gil vai aprender a cantar. Enfim, não vai rolar, né?

Marcadores:

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

A DERROTA DE CARLINHOS NOS SALVOU

Eu tinha me prometido nunca mais varar a noite para assistir à premiação do Oscar. Mas ontem eu tinha um bom motivo para ficar acordado: torcer para o Carlinhos Brown NÃO ganhar o Oscar de melhor música!

Eu sei que Sérgio Mendes merecia ganhar o prêmio. A música é legal. Mas a minha torcida foi por uma boa causa. Imagine Carlinhos Brown subindo ao palco para fazer o discurso? Aposto como ele leria um texto escrito pelo Arnaldo Antunes. Algo como “OSCAR/ MOSCA/ GOSTA/ TOSCA/ ZAMBALUÊ/ CAPOEEEEIRA!!!”

Seria um mico estratosférico. E se ele já é pedante, imagine com um Oscar na mão? Seria algo como Caetano Veloso ao cubo, algo de proporções incalculáveis. Seria um risco ao equilíbrio ambiental do planeta. Uma Chernobyl ao som de atabaques.

Eu não sou do tipo que “torce para o brasileiro” a qualquer custo. O fato de Carlinhos ter nascido no mesmo país que o meu não me coloca na obrigação de torcer por ele. Se fosse asasim, em um campeonato internacional de psicopatas eu teria que torcer para o “Maníaco do parque”, só para entrar no clima de “papa essa, Brasil”. 

Carlinhos Brown é pé frio. Se ele subisse ao palco o teatro ruiria, algo assim. Ou a orquestra jogaria garrafas de água nele, não sei. Só sei que foi melhor ele voltar de mãos abanando. Em se tratando de 2012, não podemos dar chance para tragédias.

Marcadores:

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

O QUE HÁ DE ERRADO NO CARNAVAL?

Ok, o carnaval já passou. Agora só nos resta agüentar todas aquelas fotos horrorosas no Facebook que algumas pessoas expõem orgulhosas para mostrar o quão bêbadas estavam: sorriso torto, olhar mortiço, 18º copo de cerveja quente na mão e aquela pose fajuta de “That´s life”. Céus, que horror.

Mas você já parou para pensar no que realmente há de errado no carnaval atualmente? Não? Então leia esse textinho meu no Papo de Homem. Se vai te ajudar a entender melhor o carnaval eu não sei. Mas é melhor do que simplesmente reclamar da bagaça toda.

E, sim, também achei divertidíssima a zona que aprontaram na apuração do carnaval paulista. O Brasil inteiro vota em urna eletrônica, mas os caras ainda usam papeizinhos sem um “backup”. Se o quesito “evolução” significasse “desenvolvimento” a liga das escolas de samba tirava zero.

Relaxe, o carnaval passou. Agora continuamos igualmente ridículos, mas sem a desculpa da festa.

Marcadores:

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

CARNAVAL É ISSO AÍ

Ok, Juquinha: daqui a pouco podemos ser a 5ª economia do mundo. Passamos 11 meses por ano acreditando que somos o país do futuro. Aí vem o carnaval e fode tudo. Nessa época somos obrigados a lembrar quem realmente somos.

Você aí, todo orgulhoso porque emprestamos dinheiro para o FMI, temos Itaipu, Cristo Redentor e Bossa Nova. E então chega o carnaval e você vê isso: 



É para perder a moral, certo? Imagine paleontólogos no futuro listando as civilizações dos séculos passados: Egípcios = pirâmides. Brasileiros = boquinha da garrafa.

Tem gente que sente orgulho de viver no país que promove o carnaval, o “maior espetáculo da terra” (eu ainda prefiro a pororoca, na boa). Mas eu evitaria ter orgulho e ter que incluir a “Dança da manivela” no pacote.

Imagine, isso significa misturar Noel Rosa e Ary Barroso com “Pega no peitinho dela”. Sei lá, me incomoda.

Marcadores:

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

PAUSA PARA GANHAR DIN-DIN

Sobrinhos, não é a primeira vez que titio é obrigado a  deixar o blog por uma semana sem atualização. A essa altura vocês já notaram que titio gosta de ter dinheiro para comprar vinho e comer sobremesa no jantar, correto?

Estou em um ápice de trabalho que vai me deixar fora do ar por uma semana. Sem cabeça para piadinhas ou analisar mais a fundo o último clipe da Mallu Magalhães (eu vi e é uma bosta mesmo).

Semana que vem eu volto. Vocês sabem o que fazer até lá: leiam posts antigos, leiam os blogs parceiros e continuem longe das drogas (como discos da Gal Costal). Titio volta em breve com novidades e um sorriso no rosto por baixo da máscara.

Marcadores:

sexta-feira, janeiro 27, 2012

VOCÊ NÃO VAI SALVAR O PLANETA, PANACA.

Desde o dia 25 de janeiro os supermercados não dão mais sacolinhas plásticas para os clientes. É para salvar o planeta, dizem. Vejam só vocês que coisa: a humanidade, essa racinha incompetente composta por aglomerados de carbono, se julga capaz de salvar o mundo. Aposto que vai dar merda.  

O planeta vai bem, obrigado. Nós é que estamos em perigo. Se você é meio pancada e não consegue entender esse simples conceito, veja esse vídeo do George Carlin, que explica com mais detalhes. Aliás, assista de qualquer modo, porque Carlin é o cara.  


Pois é, ontem eu fui ao supermercado após o trabalho. Não estava com a minha super-ecológica-sacolinha-retornável (juro, eu tenho uma). Pedi uma sacolinha plástica no caixa. A operadora me olhou como se eu fosse um criminoso ambiental, uma espécie de Exxon Valdez ambulante. Ela me deu uma sacolinha, não sem antes me olhar torto (paguei pela sacolinha, ok, filisteus?).

O sujeito atrás de mim estava orgulhoso com a sua sacolinha de pano fashion. Um verdadeiro herói. Mas aposto como ele foi ao supermercado pilotando um SUV que bebe 10 litros de gasolina por km. E jogou uma latinha de cerveja pela janela. Estamos ambientalmente mais conscientes? O caralho.

O planeta vai continuar um esgoto ao céu aberto. Deixar de usar sacolinhas plásticas não vai mudar muita coisa. Enquanto você evita usar sacolinhas, governos e empresas vão continuar esmerdeando a valer por aí. É a tática tradicional de transferir para o indivíduo a responsabilidade de solucionar um problema que é coletivo.

Quer um exemplo? Governos são incompetentes e não conseguem diminuir os acidentes de trânsito. E por isso criam leis mais rígidas para pressionar você a limpar parte da sujeira. É o caso da nova lei seca, que não permite nem um golinho. É bacana. Chega de bêbado no trânsito. Mas tudo funcionaria melhor se governos cumprissem a tarefa de fiscalizar e punir quem já desrespeitava as leis anteriores. Simples, não é?

O planeta não vai “ser salvo” porque proibiram as sacolinhas plásticas. Mesmo porque você pode ir ao supermercado e comprar um rolo de saco de lixo.  Que polui tanto quanto a sacolinha. É só uma lei “peneira” para tampar o que é evidente: a raça humana é porca mesmo. E os governos e empresas falharam em educá-la.

Nossa existência é nociva ao planeta. Um colapso ambiental pode nos fazer desaparecer. E quer saber? Aposto que o planeta não vai reclamar.

Marcadores:

terça-feira, janeiro 24, 2012

VOCÊ CONHECE AS CANTORAS TOFU?

Mais um artigo meu para o site Papo de Homem – passe por lá e aproveite para ler outras matérias, vale a pena. Fala sobre uma modalidade de cantoras de MPB. Eu as chamo de “Cantoras Tofu”. Quer saber o que é isso? Clique aqui e leia.

E um aviso amigo: se você é fã de cantoras de MPB e se irrita fácil, não leia. Sério. Vá ouvir Maria Gadu, ou comprar ingresso para um show da Adriana Calcanhoto e desencane.  Bancar o integrante do Taleban para defender cantora sem sal NÃO vai te dar mais dignidade, nem algum sentido para a vida, ok? Coma lentinhas que passa.

Marcadores:

quinta-feira, janeiro 19, 2012

O FUTURO É DESANIMADOR, JUQUINHA

Sobrinhos, bateu preguiça e titio ficou fora do ar por um bom tempo no começo deste ano. Vocês perdoam o titio quarentão e que gosta de vadiar? 

Um dia desses eu estava revendo "De Volta Para o Futuro II". É aquele em que os personagens principais vão para o futuro e dão de cara com carros voadores e garçons robotizados. Só dessa vez eu me toquei que esse “futuro” se passa em 2015! Sim, daqui a 3 anos, Juquinha. 

Em vez de carros voadores temos apenas cafeteiras mais caras e celulares com joguinhos mais coloridos – e 30 mil novas maneiras de perdermos tempo.  De resto, não avançamos muito. Nós continuamos meio estúpidos. Se o futuro deveria trazer alguma “evolução”, então algo deu incrivelmente errado.

O que até era de se esperar: não costumamos evoluir “para melhor”. E quando damos uma dentro, tratamos logo de cuspir no prato: tivemos o renascentismo e sua defesa da razão apenas para cairmos no misticismo new age alguns séculos depois. Bom trabalho, humanos!

Nós erramos até nas nossas previsões mais pessimistas. Um exemplo: na década de 90 o Brasil foi tomado pela onda da lambada. Naquela época eu achava que havíamos atingido o limite da mediocridade. Hoje, depois de ouvir funk carioca, sinceramente eu acho “Chorando se foi” uma obra sinfônica. 

E que tal a série “Mulheres Ricas” e seu desfile de estupidez e pelancas capaz de transformar a Suzana Vieira em uma Mona Lisa? Tenho saudades de quando as novelas eram a pior coisa da tv. Ah, sim, e para coroar temos a revista Época saudando Michel Teló como difusor dos “valores da nossa cultura popular”. Se ele realmente representa alguma coisa da cultura do meu país então eu quero já uma passagem para a Bolívia. Droga por droga, a da Bolívia faz menos mal.   

Honestamente eu tenho medo dos sucessores do Funk carioca e de Michel Teló. Imagine o quanto a gente ainda pode piorar.

Marcadores:

sábado, dezembro 31, 2011

PARA DAR ADEUS A 2011

2011 acabou. As pessoas me desejam "muita energia para 2012". Queridos, seu eu quisesse energia eu iria a uma padaria e comprava um pacote de Duracell. Desejar “dinheiro, sucesso e vida eterna” é mais legal.

Também não adianta me desejar um ano novo de muita saúde, pois pretendo seguir a tradição de excessos e passar as festas enchendo o bucho de comida pesada e vinho. Lamento.

E como eu gosto de seguir tradições de fim de ano, aqui vai uma retrospectiva tosca de 2011, com base em alguns textos do meu Twitter: 

Política
-O Peixe Urbano tá com uma promoção incrível: "Rodízio de Ministros". A Dilma já comprou.

-Tiririca indicado para Comissão de Educação e Cultura. Agora falta indicar Maluf para a Comissão de Ética. 

Música
-Amy Winehouse. No pó viveu, ao pó retorna.

-Cheiro dos banheiros incomoda fãs do Rock in Rio. Duvido que o cheiro seja pior do que o show do Ed Motta. 

Revoltadinhos (na USP e em Higienópolis)
-Polícia que prende alunos é "repressora". E alunos que atiram pedra em jornalistas são o quê? Cartas para a redação, please.

-Churrascão da gente diferenciada juntou 300 pessoas. Sem susto: povo de Higienópolis deve ter o mesmo número só de segurança. 

Celebridades
-Rafinha pede demissão da Band. A Wanessa Camargo também podia pedir demissão da música. Mancada por mancada, as dela são piores.

-“É possível ter prazer anal", diz Sandy. Sei. Deve ter aprendido com o irmão. 

Mundo
-No Japão é necessário uma onda quilométrica para inundar o país. Aqui bastam 20 minutos de chuvisco.

-Times: "Cai ditador do Egito". Folha: "Mubarak renuncia". Caras: "Suzana Vieira mostra seu apê". 

TV
-Hoje começa "A Fazenda". Nem no Animal Planet você vai ver tanto animal estúpido junto.

-Ver BBB é como observar um aquário: cabeças de bagre sem roupa zanzando em um cubículo e brigando por comida.

Sobrinhos, feliz ano novo. Desejo um 2012 livre de Caetanos, Mallus e  Pretas. Não custa sonhar, não é?

Marcadores:

quinta-feira, dezembro 22, 2011

REDEFININDO O NATAL

Natal é como cerimônias de casamento e formaturas: são eventos importantes, cheios de significados, mas potencialmente bregas. A gente  fica com a sensação de que a Hebe Camargo está por trás de tudo.

São Paulo, por exemplo, desde o fim de novembro virou uma filial de Las Vegas. A cidade foi invadida por zilhões de lampadinhas piscantes. É engraçado, mas aposto como tem muito ambientalista que está gastando meia Itaipu para iluminar suas 856 luzinhas paraguaias da sala.

A trilha sonora da época já foi pior. Os supermercados estão evitando a piada fácil de tocar Simone. Mas insistem em resgatar velhas músicas de Frank Sinatra, com letras datadas sobre tobogã e lareiras. Gosto do Frank, mas toda vez em que eu vou a um Shopping Center e ouço esse tipo de música tenho a sensação de que o Amaury Jr vai pular na minha frente com uma taça de champagne na mão.

E tem essa estranha sensação de suar debaixo de um calor de 40 graus e ver neve, renas e o Papai Noel encapotado nas vitrines. Está na hora de acertarmos geograficamente o Natal. Papai Noel poderia vir de bermuda e chinelos. Eu acharia mais coerente. Aliás, seria legal avisá-lo para não perder tempo procurando chaminés nas casas. O risco é ele entrar em alguma chaminé de Cubatão e terminar no hospital com alguma infecção pulmonar.

Na verdade, a lista de elementos ridículos do natal é longa. Envolve “Ana Maria Braga de toquinha natalina” e, claro, “lista de presentes de amigo secreto”. A Folha de São Paulo publicou a dela. E, pasmem, sugeriu o disco eletrônico da Gal Costa, além dos novos trabalhos de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. Se eu desse presentes desse naipe, não seria convidado nem para bingo.

Enfim, já que as contra indicações são inevitáveis, me resta agradecer para o santo que inventou o chocotone. Nada como chocolate e gordura hidrogenada para aliviar a barra. Feliz natal para vocês, leitores. Podem abusar do chocotone. Eu recomendo.

Marcadores:

sexta-feira, dezembro 16, 2011

OS MELHORES E PIORES DO ANO.

Fiz uma lista dos melhores e piores do ano para o site Fábrica de Quadrinhos. Replico a lista logo abaixo. Assim você termina o ano com a deliciosa certeza de que o ano teve muito mais destaques degradantes do que memoráveis. 

-Melhor Coisa Pra Se Ver no Cinema:
“Um Conto Chinês” - argentinos mostram como se faz um filme bacana sem torrar nosso saco.

-Pior Coisa Pra Se Ver no Cinema:
“Saga Crepúsculo, Eclipse” – vampiros fashion envergonham Vincent Price. 

-Melhor Coisa Pra Se Ver na Tevê:
"Big Bang Theory” - quem diria... ciência, nerds e humor juntos! E isso funciona.   

-Pior Coisa Pra Se Ver na Tevê:
“A Fazenda” e “BBB” – ambos atingiram um inédito nível de mediocridade. 

-Melhor Coisa Pra Se Ouvir: 
“Sparkler”, Ringo Deathstarr - meu rock é assim: simples, bronco, ruidoso, viajante e sem frescura. Camelo, aprenda! 

-Pior Coisa Pra Se Ouvir:
 “Recanto”, disco eletrônico da Gal Gosta - A piada de mau gosto do ano. 

-Melhor Coisa Pra Se Ler:
“Guia politicamente incorreto da América Latina”, de Leandro Narloch - Por quê? Porque adoro quem chuta a canela do senso comum. Sendo justo ou não. 

-Pior Coisa Pra Se Ler:
Qualquer livro com monge, padre ou Ana Maria Braga na capa.

-Melhor Momento:
Povo se manifestando contra ditadores e crises. Mas só lá fora. Por aqui só rola “manifestação umbigo” de aluno da Usp.

-Pior Momento:
Maria Bethânia tentando descolar grana com um blog. 

-Melhor Vídeo no YouTube:
Tiozinho argentino enlouquece vendo jogo de futebol.

E você? Tem a sua lista? Deixe nos comentários! Deve ter mais lixo que eu acabei esquecendo.

Marcadores:

quarta-feira, dezembro 14, 2011

SEJA ESCALPELADO POR 500 REAIS

Não me lembro qual foi o último grande show que eu vi. Ando me recusando a ir nesses eventos. Sou um dos poucos brasileiros que não têm manha para descolar uma carteirinha falsa da Une para garantir uma meia entrada. Pode me chamar de bundão, se quiser.

Como não tenho carteirinha, não acho legal pagar 350 pilas para ver um show que o filho de banqueiro vai ver pela metade - só porque é estudante. E tem o lance da idade. Depois dos 40, tomar pisão e ficar 8 horas sem poder ir ao banheiro deixa de ser divertido. A gente fica meio exigente – Vinho Chapinha, por exemplo, nunca mais.

Os empresários reclamam do custo Brasil. Fazer show é caro mesmo. Mas aí eu lembro que esses shows têm sempre uma área vip, que é reservada para os Hucks e Angélicas ficarem bebericando champagne. De graça. E sem gostar da banda. O Huck poderia pagar os 500 paus e levar a bebida de casa, certo?

Lollapalooza? O ingresso mais barato custa 300 pilas. Eu só conheço meia dúzia de bandas. Desanima. Mas aposto que a Ana Maria Braga vai ganhar ingresso. Ela, que é LOU-CA por Foo Fighters, né?

Mas o pior é quando acontece isso aqui: João Gilberto anunciou show em São Paulo. O ingresso mais barato era de (pasmem) 500 pilas. E aí, cancelaram o show. Pior: quem comprou o ingresso vai receber a grana de volta em 3 prestações, sem a taxa de serviço. É isso aí: o cara é extorquido à vista e é reembolsado a prazo. E nada de explicações.

Agora, calcule aí, Juquinha: 500 paus para ver um circo com 30 malabaristas e 80 palhaços, vá lá. Mas pagar 500 reais para ver um cara no palco com um violãozinho? Putz, quanto custa o uisquinho do João?

Além disso, pagar para ver João Gilberto é uma atitude de risco. Ninguém garante que o cara não vai ter um chilique e abandonar o palco porque alguém tossiu na 23ª fila. Melhor é vê-lo em DVD. Custa pouco. E a chance dele parar o show é nula.

Se é para ver patinho fazendo quem-quem, prefiro o sofá de casa.

Marcadores:

sexta-feira, novembro 25, 2011

ATORES GLOBAIS VÃO SALVAR O MUNDO?

Sim, eu também recebi o link do vídeo com os artistas globais fazendo mobilização para o movimento Gota d´água. Acho divertido ter que botar a Maitê Proença tirando o sutiã para fazer as pessoas prestarem atenção em uma questão importante. Fico imaginando que se ela tirasse a calcinha talvez até o Sarney fosse deposto, vai saber? 

Pessoas acreditam muito mais em atores globais do que em qualquer especialista. Vocês se lembram do ator Rubens de Falco? Ele interpretou um vilão na primeira versão de Escrava Isaura e foi xingado por várias pessoas na rua. Gente que não sacou esse lance de ator interpretar um papel, manja? Enfim, se Tarcísio Meira pedir para defendermos a pena de morte, aposto que no dia seguinte teremos gente na rua batendo panela.

O problema é que continuo achando que a causa ambiental é usada port muita gente como uma espécie de detergente de consciência: gente que não sabe o que fazer para ficar bonito na fita e acaba defendendo os macacos e as florestas – só porque defender gente de verdade como órfãos e deficientes é bem mais complicado.

É o caso da perua que acha que devemos defender o meio ambiente, desde que não interfira no direito dela de gastar energia à vontade com secadores de cabelo e ar condicionado para os casacos de pele. E do garotão que defende a Mata Atlântica, mas joga saco plástico no rio e toparia comer barbatana de golfinho numa boa se a Ana Maria Braga dissesse que é chique.

É engraçado, mas comigo esse lance de campanha global costuma funcionar ao contrário: normalmente eu não abraçaria uma causa defendida por Bruno Mazzeo e Ingrid Guimarães. Nem que pandas abinos estivessem na jogada.

Mas a campanha deu certo. Muita gente se sensibilizou com a  cara da Cissa Guimarães bravinha. Fica a dica: que tal atores globais defendendo o fim da fabricação de Crocs, a proibição de shows da Maria Bethânia e dos programas do Tom Cavalcante? Eu sairia às ruas na hora.

Marcadores: